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Marianna Perna é poeta, multiartista e historiadora mestre em filosofia. Se interessa pelos atravessamentos entre palavra, som, corpo e consciência.
Marianna Perna por Subtil Jessica (2020)

a vida acontece de dentro
pra fora

flecha pelos ossos
(n)o lugar da ferida

dentes espertos
o gosto amargo

ferro no sangue
alvéolos

cada segundo
as batidas

digerir o dia
decantar o olhar

minérios circulando

nada novo pode ser dito

só há corpo

- corpos -

e cinzas.


Foto por Marianna Perna (Peru, 2014)

Aquele minério veio de uma estrela colapsada. Toda origem do universo aqui-agora, todo o tempo num instante, tudo um mistério muito maior do que se possa conceber.

Aqui na terra, eu danço os meus dias e canto com os pássaros floemas.

Todo gesto é desejo de cura.

#dasvozespoesia ::: Muito obrigada por ler até aqui! ❤

Este texto brotou de um exercício de escrita automática durante oficina de dança e meditação em 2021, o tipo de pesquisa pessoal multiartística a que venho me dedicando desde 2016.

::: Você pode conhecer mais dos meus escritos e trabalhos de poesia multimídia em meu site: Videopoemas. Poesia sonora. Narrativas poéticas em fotos. ::: Nas redes, pode me acompanhar em @dasvozespoesia :::


Foto por Marianna Perna (Peru, 2014)

Forget the dead you left they will not follow you.

Em um chão escavado, em uma parede descascada, tento mover a casa, sigo equilibrando forças residentes resistindo ao desabamento.

Sigo promovendo giros que instauram novos lixos para a terra, esburacando olhares.

Um olho no passado eu tudo sei tudo vi
o…


Marianna Perna por Renata Terepins (2017, Casa do Sol)
  1. Rua após rua
    Percorrida, escrita pelos pés
    Paixão sem corpo
    Choque sem medo
    Não havia sol, apenas os fragmentos
    De tantos tempos atrás
    Ainda a te liquidar,
    A dar-te o gosto amargo de alguma arte.

2.
Enquanto estilhaço suas palavras
até o balbuciar da loucura
Seus jogos sem risada
Diálogos sem memória
E os teus…


Marianna Perna por Subtil Jessica (2020)

Meu rosto todos os dias no espelho
Contorno do irreconhecível

Deserto feito de tentativas
Cansaço que já nada tenta

Os olhos em exílio

Coração que sai pela boca
Ao te pensar.


Marianna Perna por Subtil Jessica (2020)

O sol na pele
um sorriso
to be alive, muito viva
beleza e repouso
teto que mira um céu
está desabando

entregues
todo acordo é frágil
para o esvair-se
para se aprender

O som ensina como é o mundo
no decantar do passo
desabandonar-se
novo alfabeto
tentativas
tentativas
apreendem o…


Marianna Perna por Subtil Jessica (2020)

Não sou este nome que me cobre, nem também as fatigadas tentativas de compreensão.
Nada disto me pertence e não me importa enquadrar minhas palavras em um esquema de ordenação.
Prosa, poesia, teatro, ensaio — who cares?
São apenas palavras, de toda maneira nem a vida são…
Apenas palavras. …


Marianna Perna por Subtil Jessica (2020)

Espirais do ar se fazem fogo ao tocar a pele
A pele não costurada que abriga o sonho.

O sonho de cada noite envolto em névoa não linear
A dança da imaginação cria asas sobre o não nascido
Mergulhada em papéis e incertezas.

A dança fora é um pequeno grão da dança contínua de dentro.
O olho de dentro, o olho da pele.

All is well, as long as we keep spinning.

Eu rodopio em busca do silente, o repouso no fundo de todo movimento, de todo som
O sonho primordial que alcanço com os olhos de dentro

Há o silêncio em tudo, e eu danço o que não tem nome.


Marianna Perna na Casa do Sol, por Renata Terepins 2017.

Em alguma espessa névoa do sono
O homem meteu-se dentro da própria sombra.

Nela fez casa.

Como fazer da vida algo claro?
Impossível?

Só posso vestir a penumbra, caminhar
entre vigas, cantar os labirintos passos
Para uma incerteza que já soa como lar.

Um território em estado de passagem.
Sem posse. Sem mais entranhadas curvas,

um vazio onde sigo procurando-nos.

Para renascer filhas do barro.

Atenta e em resignado silêncio, pois já ouvi de uma poeta
que a vigília poderá abrigar alguma nova luz, talvez
como aquela que tenha sido dada e depois esquecida.

Poema inspirado a partir de "Poemas para os homens de nosso tempo", de Hilda Hilst, do livro Júbilo, Memória e Noviciado da Paixão (1974). /// Por Marianna Perna, @dasvozespoesia


Marianna Perna por Renata Terepins, 2017.

Eu corri por entre labirintos até que
meus pés fossem as próprias pedras.
Eram espelhos, eram desilusões.

Tudo se esvaiu como o lodo que reluz
na manhã seguinte à partida.
Barco sem âncoras.
Só havia círculos, só havia ruídos
Gigantescamente o tempo presente
humilhando-me ao falar do sol. …

Marianna Perna

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