Marianna Perna

Photo by Jez Timms on Unsplash

Para Hilda Hilst.

Encontro outras trilhas
recortadas por novos antigos enredos

E desencontros
Naqueles meus passos foragidos, que
Não mais por ti buscam, mas
Sei que no fundo se sorriem ao lembrar
Dos dedos, da carne
E da cintilante memória que se refez

ao pousar

meus olhos sobre os teus, teto aveludado.

Sigo as pedras da trilha, contente enfim
Mesmo no mais alto desassossego pairando profundo.

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Photo by Daniel Jensen on Unsplash

Por eternas trevas
naveguei
pirata dos mares obscuros
me tornei.

Um maestro da dor
do peito rasgado
horrendo
acorrentado por vidas
& vidas

navegando
navegando

vagando

sem saber,
sem poder ver
era apenas dor
e muito frio.

Aguardei por muitas vidas
pelo fim das tempestades
pelo fim deste mar
de tormentas;
porém do mar
fez-se o oceano
e eu me perdi
pelas ondas eternas
e nunca mais encontrei meu lar.

Este mar é minha liberdade
e minha maldição.

#dasvozespoesia ::: muito obrigada por ler até aqui!

Série Revisited. Poema escrito em 2014.
Você pode conhecer mais dos meus escritos e trabalhos de poesia multimídia em meu site: Videopoemas. Poesia sonora. Narrativas poéticas em fotos. ::: Nas redes, pode me acompanhar em @dasvozespoesia :::

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Photo by Jr Korpa on Unsplash

cada passo nasce
da pausa

para dançar
preciso me alimentar
do sonho

aquele que faltou
quando respirei
mas não preenchi todo o pulmão

aquele que não permiti
adentrar-me as células
para fazer os brotos
necessários

à terra
a mim
ao coração
da vida

aquele que só chega
no breu
nos ouvidos atentos
à chuva
que aponta sentidos

o sentido é para dentro
para dentro
para dentro

da terra
de mim

ao coração
da terra

onde me encontro
e te encontro

na teia do sonho
do breu
silencioso
que refaz toda a existência

rumo à luz.

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Denny Müller on Unsplash

quando nada há que possa ser dito
no calor de uma hora sem espera
prossigo mirando palavras
em busca de caminhos
que soem como silêncio.

como estar sozinha em um jardim
ao sol.

quando a terra se cansa
de absorver suor
pois nosso passo já não diz
nada além
de podridão
carniça
revolvida
de novo e de novo

esgoto todas as possibilidades
sonho com as canções que escreverei
feitiço como vento esparso
carnavais jamais vividos

até me refazer feito nuvem
que nunca esquece de onde vem.

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Foto por Subtil Jessica (2020)

Quantos passos alheios
Até poder chegar aqui

A mim

Ser eu mesma
Quem eu sempre fui

Mas nunca me soube

E um dia reconheci.

Nós lutamos em busca de si mesmo.
Quem nunca e sempre fomos.

Deve habitar ali, no fundo do
Que não vejo

Na sala dos espelhos

Na sala de espera
Da eterna busca de si.

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Marianna Perna

Marianna Perna

Marianna Perna é poeta, multiartista e historiadora mestre em filosofia. Se interessa pelos atravessamentos entre palavra, som, corpo e consciência.